Acompanhamento Terapêutico escolar e psicomotricidade: possíveis intersecções

15 04 2013

Autora: Bruna Hecht - Psicóloga graduada pela PUCRS. Formada no “Curso de Capacitação em Acompanhamento Terapêutico” da Comunidade Terapêutica D. W. Winnicott (CTW) de Porto Alegre, RS, Brasil. Email: brunahecht@hotmail.com

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Percepções de acompanhantes terapêuticos escolares

8 01 2013

A psicóloga da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e acompanhante terapêutica escolar em Salvador (Bahia, Brasil), Adrielle Matos (CRP 03/5864) convida os ats escolares para participar de sua pesquisa que objetiva investigar as percepções de acompanhantes terapêuticos escolares sobre as contribuições de sua prática profissional na Educação Inclusiva.

Os dados da pesquisa serão analisados na sua Especialização em Desenvolvimento Infantil e seus Transtornos (Faculdade Social da Bahia), sob orientação de Andréa Diniz Gonçalves.

Clique aqui para acessar e responder agora mesmo ao questionário on-line da pesquisa de AT escolar.





O AT e adolescência: As dificuldades e o auxílio na vida de um adolescente

30 12 2011

Autor:

  • Felipe Aguzzoli Heberle – graduando em Psicologia. E-mail: pipsheberle@hotmail.com
  • Artigo de Conclusão do “Curso de Capacitação em Acompanhante Terapêutico” da Comunidade Terapêutica D. W. Winnicott (CTW) de Porto Alegre, RS, Brasil.

 

RESUMO:

Este artigo mostrará de maneira clara e objetiva o porquê da necessidade do Acompanhamento Terapêutico em adolescentes nas áreas escolar e/ou de dependência química, Juntamente será feita uma relação das atitudes rebeldes e auto-destrutivas que surgem nessa fase do desenvolvimento humano com a necessidade do AT.

ABSTRACT:

This article explains, in a clear and objective way, why the therapeutic monitoring should be used with teenagers in the school and/or in the chemical dependence area. At the same time, the rebellious and self-destructive attitudes that appear in this part of the human development will be related to the necessity of the therapeutic monitoring.

 

Introdução

Adolescência é descrita como um período de turbulência, de crises, caracterizado por desequilíbrios e instabilidades. Aberastury e Knobel (1981) nomearam de “síndrome normal da adolescência, a atitude social reivindicatória com tendências anti-sociais ou associais de diversa intensidade e constantes flutuações e humor”(p.29).

As paixões os desejos e a rebeldia do adolescente, muitas vezes parecem ser descontrolados, mas existem aqueles que na medida do possível não são tão perturbadores nem para si nem para os que os rodeiam.

Uma das maneiras que o adolescente encontra para lidar com sua problemática é a rebeldia, e esta pode manifestar-se dentro de um largo espectro. A rebeldia é necessária e saudável quando não coloca o adolescente em situações em que de alguma forma possa prejudicá-lo, colocando sua vida e sua integridade psicológica em risco (brigas de gangues, vandalismo, condutas agressivas, solitárias, consumo de drogas etc…).

Este trabalho visa abordar a rebeldia adolescente como uma das tentativas de elaboração dos conflitos e dos lutos característicos desse período, serão abordado especificamente os aspectos positivos e negativos desta fase.

Tendo em vista as diversas dificuldades que esta fase do desenvolvimento implica, juntamente com o fato de ser conhecida pelo surgimento de inúmeras patologias e a introdução ao universo das drogas.

Revisão Teórica

O que é um adolescente

Sabe-se que o desenvolvimento do ser humano, implica em passar por diversas fases que são acompanhadas por inevitáveis crises. Assim sendo, Infância, Adolescência, Vida Adulta, Meia Idade e Velhice necessariamente pressupõem enfrentar lutos e tentar superá-los.

A adolescência em si é caracterizada como um período de transformações, portanto de crise principalmente no que se refere à construção da identidade adulta.

Segundo Zimerman (2001), a etimologia da palavra adolescência procede dos étimos latinos ad, para frente + olesco, crescer, arder, inflamar-se. O autor comenta que a adolescência abrange três níveis de maturação e desenvolvimento: a puberdade ou pré-adolescência (12 aos 14 anos), adolescência propriamente dita (15 aos 17 anos) e adolescência tardia (18 aos 21 anos). Cada uma destas subfases apresenta características próprias e específicas. Entretanto, crise, luto, separação e individuação são componentes básicos do processo.

Desenvolvimento e separação psicológica: Um universo de perdas e lutos

A abordagem psicanalítica da rebeldia na adolescência pressupõe o entendimento de alguns conceitos freudianos fundamentais como: Conflito psíquico, luto, castração, complexo de Édipo e elaboração psíquica.

Laplanche e Pontalis (1994), descrevem o conflito psíquico como a oposição entre exigências internas contrárias, podendo ser manifesto (entre um desejo e uma exigência moral ou entre dois sentimentos contraditórios, ou ainda latente, expressando-se como sintomas, desordens de comportamento, perturbações de caráter, etc…).

Estes mesmos autores referem que o conceito de elaboração psíquica é a expressão utilizada por Freud para designar o trabalho empreendido pelo aparelho psíquico, a fim de controlar e dominar as excitações que lhe chegam, evitando seu acúmulo, o que poderia acarretar conseqüências patológicas.

Freud, em seu clássico trabalho Luto e Melancolia (1914-1917), descreve o luto como um trabalho de retirada da libido do objeto. É um estado psíquico resultante da perda de algo ou de alguém muito querido, que provoca dor e angústia. Para ser superado necessita daquilo que Freud descreveu como trabalho de luto.

Para Freud o trabalho de luto é um trabalho psíquico que visa desinibir e libertar o ego da oposição de exigências entre o teste da realidade e uma posição libidinal que insisteem continuar. Destaforma, pode-se pensar que o luto é a elaboração do conflito psíquico.

Laplanche e Pontalis (1994) descrevem que, a partir da diferença anatômica entre os sexos (presença ou ausência do pênis), Freud chegou a conclusão de que o complexo de castração tem efeitos diferentes nos meninos e meninas. O complexo de castração tem estreita relação com o complexo de Édipo, mais especificamente com sua função interditaria e normativa.

Laplanche e Pontalis (1994) descrevem o complexo de Édipo como um conceito central na obra de Freud, que foi inspirado na história grega de Édipo Rei. O complexo de Édipo refere-se aos desejos amorosos e hostis que a criança experimenta em relação aos pais.

A teoria psicanalítica afirma que a primeira infância, mais especificamente a fase fálica do desenvolvimento infantil, é marcada pela vivência da conflitiva edípica. E acrescenta que esse mesmo complexo é revivido na puberdade e adolescência.

A partir destes clássicos conceitos freudianos, passemos agora para os autores que estudaram especificamente o tema da adolescência.

Aberastury e Knobel (1981) referem que o indivíduo ao adolescer, passa por três lutos essenciais: luto pelo corpo infantil, luto pela identidade e pelo papel infantil e luto pelos pais infantis. Portanto, no decurso do seu desenvolvimento o indivíduo necessita passar por uma fase de lutos para conseguir elaborar a perda de sua condição infantil e conseguir desenvolver e estabelecer sua identidade adulta.

Os autores escrevem que o luto pelo corpo infantil é o conjunto de modificações corporais ocorridas na adolescência e sobre as quais o jovem assiste passivamente, ou seja, sem qualquer possibilidade de controlar.

Quanto aos lutos pela identidade e papéis infantis, os autores afirmam que as contradições ocasionadas pela falta de definição de “quem eu sou” (não é mais criança, mas também não é adulto), deixa o adolescente angustiado. Como não possui identidade definida, o adolescente tende a depositar nos outros as responsabilidades que deveria tomar para si. Assim sendo, como dizem os autores, reside a falta de caráter típica dos adolescentes, como se ele não tivesse “nada a ver com nada”.

Enfim, sobre os lutos pelos pais infantis, Aberastury e Knobel (1981), referem que os pais também apresentam dificuldades para aceitar o desenvolvimento e a independência de seus filhos. Existe, pois o luto pelos filhos como crianças dependentes, e por isso os filhos sentem-se perdidos em relação àquelas figuras que deveriam servir-lhes como apoio, nesta etapa tão turbulenta e sofrida de seu desenvolvimento.

De uma maneira resumida pode-se afirmar que a vida adulta só pode iniciar quando estes lutos da infância forem elaborados. Esse é um processo difícil, angustiante e lento. Sabe-se também que o comportamento rebelde do adolescente pode manifestar-se de muitas maneiras.

 

A importância do AT junto de um adolescente

A adolescência é conhecida como sendo um período onde a pessoa expande o seu ciclo social, inicia vida sexual e tende afirma sua identidade, porém muitas vezes o adolescente pode criar diversos conflitos os quais, caso sejam acompanhados de perto, tem grande chance de serem solucionados sem que ele se cause grandes danos.

É importante ressaltar que o AT que conviver com um adolescente com tendências auto-destrutivas, no que se refere ao uso de drogas e as ciclos viciosos com tendências a auto-sabotagem criados a partir de fracassos, que podem se tornar motivo de grande depressão. Tais ciclos são muito presentes nos adolescentes no seu meio acadêmico, em especial no que se refere ao colégio quando ainda estão sobre olhar dos pais e ainda não desenvolveram tanta maturidade.

Em casos de AT escolar o Acompanhante Terapêutico ajudará o adolescente na sua organização e o estimulará fazendo o possível para eliminar crenças de incompetência e incapacidade, as quais são muito presentes em pessoas jovens com dificuldades escolares. Um grande desafio nessa área acaba sendo muitas vezes a relação com os pais, muitas vezes mais preocupados com as notas dos filhos do que com seu bem estar mental, eles não entendem que o AT não é um professor particular e cobram os resultados imediatos na melhora dos seus filhos.

Juntamente com a cobrança dos pais, vem a ansiedade do adolescente, cabe ao AT auxiliar na redução da mesma através de esquemas de reforço sempre buscando ressaltar os pontos positivos e as qualidades da pessoa a quem está atendendo quando necessário. Porem, não deve-se criar uma situação na qual o paciente torne-se constantemente dependente do seu AT para a realização de tudo e crie uma necessidade de sempre ser reforçado para poder iniciar ou concluir algo. O fator de reforço deve ser utilizado ao longo do seu tratamento e gradualmente diminuído para que futuramente o jovem possa cuidar de si mesmo.

Longe dos olhos dos pais preocupados com o desempenho acadêmico existe outra modalidade de problemas muito sério nessa fase do desenvolvimento, o uso de drogas. Não é segredo que um número assustador de jovens já usou maconha. Os adolescentes tendem a desconhecer seus reais efeitos e muitas vezes a utilizam somente para poderem ser incluídos em um grupo ou para fugir dos problemas. Cabe ao AT que estiver acompanhando um jovem que utilize tal droga saber explicar-lhe sobre todos os efeitos que a mesma pode causar, assim como se necessário interferir na possível tentativa da utilização da droga. Nesse ponto chega uma questão forte: “e se o paciente se quiser utilizar a droga e se recusa larga-la?” nesse caso a primeira abordagem deve ser dada através do diálogo explicando para o adolescente o mau que aquilo lhe faz. Trazer a tona a realidade é sempre o melhor meio de fazer com que as pessoas realmente a vejam, o importante nesse momento é ser objetivo e transmitir segurança ao paciente. Um AT nervoso pode ser incapaz de manter o diálogo. Caso o paciente não ceda pode valer a pena repetir o processo, porém jamais deixa-lo consumir a droga.

O AT também pode se deparar com adolescentes que estão em outro patamar de dependência química tendo/estando consumindo drogas como cocaína e crack. Em tais situações é necessária ser feita uma análise para determinar quais as causas que levaram o jovem a consumir tais drogas, pois na sociedade em que vivemos é considerado normal qualquer jovem já ter feito uso de maconha. Porém, as outras drogas citadas, em especial o crack costumam ser utilizadas por pessoas que enfrentam sérias crises emocionais e utilizam a droga para abandonar os problemas e pessoas com baixa renda que não tem acesso a demais substancias ilícitas que possuem maior custo.

As atitudes do Adolescente na relação com o AT

Como já foi anteriormente dito, a adolescência é uma fase de auto-afirmação e construção de personalidade. O adolescente tende a defender de maneira instintiva,agressiva e quase territorial tudo aquilo que é seu ou que assim ele considere e pode apresentar argumentos muito sensatos para difundir a autoridade dos pais mediante a tentativa de punição por alguma atitude inadequada de sua parte. O AT deve estar preparado para proporcionar atividades adequadas para qualquer tipo de adolescentes com o qual for iniciar um tratamento. No período da adolescência, o contraste entre os jovens tende a ser grande. Logo, um AT que trabalhe com muitos adolescentes deve saber que só o fato de dois de seus pacientes serem do mesmo sexo e/ou idade não influencia no seu gosto por atividades de lazer.

Freqüentemente é bom que o AT acompanhe o paciente para atividades ao ar livre, sejam praticas de modalidades esportivas até apenas uma volta no parque, algo que possa relaxar o jovem da tensão que é estar sendo “vigiado”.

No início do tratamento o paciente poderá ver o AT como um vigilante dos pais, alguém que está lá para controlá-lo, pré-determinar que essa não é a sua função pode ser essencial para o bom andamento do trabalho, uma vez que não será aberta uma relação boa sem uma base mínima de confiança.

Conclusão

O AT tanto na modalidade escolar quanto na de dependência química com jovens no período da adolescência tente a ser difícil por tratar-se de uma fase de auto afirmação e criação de identidade. Cabe ao AT iniciar o tratamento criando uma base sólida de confiança e incentivando o seu paciente a realizar suas atividades e cumprir seus objetivos para a sua melhora na área escolar e/ou de dependência química.

Considerando que, nessa etapa da vida, liberdade é algo muito valorizado devem-se propor atividades ao ar livre e horas de lazer após o cumprimento das responsabilidades. Dessa maneira, o adolescente aprenderá a regular seus momentos de estudo/lazer.

No caso do consumo de drogas, vale a pena investir na conscientização sobre o real prejuízo das drogas para o afastamento das mesmas, pode ser necessário cortar certos vínculos perigosos de amizade.

5. Referências bibliográfica

  •  ABERASTURY, A; KNOBEL, M. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1981.
  •  LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J. B. Vocabulário de psicanálise. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes,1994.
  •  ZIMERMAN, D. E. Vocabulário contemporâneo de psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001.
  • REVISTA VEJA  http://veja.abril.com.br/260700/p_114.html

6. Referências de Sites:

Artigo publicado no “Site AT” em 30/12/2011.

Supervisão em AT.








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